FakeNews e Pós Verdade: o Jornalismo em uma encruzilhada

De acordo com o Dicionário Oxford, pós-verdade é um adjetivo que denota “circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e crenças pessoais”. Ou seja, se os fatos me contrariam, danem-se eles. Por outro lado, se uma “notícia”, mesmo mentirosa, me agrada, ela será compartilhada com meus  grupos numa prova de que “eu tinha razão”.  

No Brasil, o caso mais dramático de fakenews envolveu a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, linchada em maio de 2014 no Guarujá, após ser apontada nas redes sociais como sequestradora de crianças para prática de magia negra. Bastou um retrato circulando como viral para ativar a ira de uma horda de “justiceiros” que terminaram por matar a moça

No mundo inteiro, o tema das fakenews se tornou onipresente em 2016 com a eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos. O site de Buzzfedd mostrou que nos três últimos meses de campanha Norte-Americana, 20 histórias falsas foram compartilhadas 8,7 milhões de vezes. Entre as fakenews mais compartilhadas estava a de que o Papa Francisco apoiaria o candidato Republicano. O mesmo Buzzfeed apontou em outro estudo que cerca de 60 sites que publicam informações falsas ganharam dinheiro com o serviço do Google AdSense e outras importantes redes de anúncios.

Ou seja, produtores de fakenews ganham duas vezes: 1) quando conseguem adesão a ideias com base em fatos inexistentes; 2) quando são remunerados pelos cliques e visualizações. 

No Brasil, o uso de fakenews nas eleições deste ano tem deixado candidatos, Justiça Eleitoral e eleitores em alerta.

A boa notícia é que desse caldo todo pode ressurgir uma nova era de ouro do jornalismo, uma vez que profissionais com boas referências e credibilidade junto à comunidade podem se tornar mais relevantes no processo de informação. Para fugir das fakenews, leitores podem recorrer às fontes reconhecidamente confiáveis. O próprio El País, citado lá em cima, aumentou sua base de leitores e temos bons exemplos como a Agência Pública de Notícias.

Este site não tem intenção de revolucionar o jornalismo. Pelo contrário, talvez a intenção seja mesmo a de voltar às raízes. Mudam as plataformas, mas acreditamos que os princípios devem  continuar os mesmos a nortear quaisquer veículos de comunicação em uma democracia:  pluralidade, ou seja, dar vozes a diferentes grupos.

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